De um lado você tem as pessoas especiais, que antes dos trinta anos conseguiram ser "bem sucedidas". Do outro, você tem gente batalhadora, que está lutando, mas ainda não obteve o reconhecimento ou fama. Simplesmente tocam o barco. A Crise dos Trinta é isso: histórias de sucesso e de vida quotidiana. Porque não existe uma regra para ser feliz e não ter um carrão ou alguns milhões no banco não significam fracasso.
Clelia Percassi tem 28 anos e trabalha no Huggy Bear, em Milão. Ela conta:
Trabalho em bares para pagar os estudos, mas nunca me interessei muito. Se serviu para alguma coisa foi como escola: aqui aprendi a engolir tudo e a desenvolver a paciência. O cliente terá sempre razão, mas em alguns deles, dá vontade de dar é uns tapas.
Os mais mal educados são quase sempre as mulheres. Uma vez tinham duas menininhas sentadas em uma mesa, deviam ter uns 16 anos. Sirvo um suco de fruta de garrafa a uma das meninas e ela, sem nem dar tempo que eu apoiasse a garrafa, me diz: "Abra imediatamente". A amiga olhou feio para ela, mas ela insistiu fria: "ela é a garçonete, tem que abrir para mim".
O problema é que você pode ter até três diplomas universitários, falar dez línguas, mas na imaginação de certas pessoas a garçonete de um bar é uma escrava.
Alguns garotos quando descobrem que faço a garçonete ficam chocados. Se vê que nunca trabalharam na vida.
Depoimento publicado na revista italiana GQ, edição de setembro de 2008.
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